Minha alma é uma catedral submersa. Meu olhar é um submarino, olho para cima e vejo a luz que se fratura através das águas inquietas. E no fundo dessa luz nadam meus olhos à procura de mim. Desde que nasci eu estou num conflito imaginando com tanta gente que eu poderia ser e nasci logo Eu.
Quando me perguntaram quem é Deus, disse que para mim Ele é a beleza que se ouve no silêncio. A beleza que se vê de olhos fechados. A beleza que toca sem encostar. Disse que vejo Deus em qualquer canto, em qualquer gesto, brisa ou ventania, qualquer folha seca no chão ou a folha verde presa no galho da árvore mais copada. A imagem que eu tenho dele é variável. Pode ser negro, nasce menino e cresce mulher. Deus é como Eu. Dança na chuva, brinca de roda, chora e ri.
Eu não sou uma só. Como disse a raposa do pequeno príncipe cada um é responsável por aquilo que cativa. Eu cativei um pouco de cada coisa que eu amo, sou uma junção de Eu e Vocês. Eu sou milhões de Eus, posso não ser Deus mas sou Eus.
Sou eu quem acredito em mim, sou eu que me explico quando me complico, eu mesma ouço os meus próprios gritos. Não sou uma fórmula, sou apenas Eus.
+001.jpg)
0 comentários:
Postar um comentário